O efeito de jogos reduzidos como aquecimento sobre a potência muscular, agilidade e sprints em jovens jogadores de futebol

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Um estudo recente publicado na Journal of Physical Education and Sport investigou como jogos reduzidos (small-sided games, SSGs) com diferentes dimensões podem ser usados como estratégia de aquecimento para melhorar o desempenho físico de jovens jogadores de futebol.

A pesquisa foi conduzida por uma equipe de cientistas da Universidade Demócrito da Trácia, na Grécia, e da Universidade de Nicósia, em Chipre, e teve como objetivo avaliar o impacto desses jogos no potência muscular, agilidade e desempenho em sprints repetidos.

Como o estudo foi realizado?

O estudo buscou analisar como diferentes dimensões de jogos reduzidos afetam a potência muscular, a agilidade e a capacidade de sprints repetidos em jogadores de futebol com menos de 15 anos.

Doze jovens jogadores de futebol, com média de idade de 13 anos, participaram do estudo. Eles foram submetidos a três protocolos de aquecimento diferentes: um aquecimento tradicional de futebol, um aquecimento com jogos reduzidos em um campo de 15m x 15m e outro em um campo de 30m x 15m.

Após cada sessão de aquecimento, os jogadores realizaram testes de desempenho, incluindo salto em distância, teste de agilidade T-test e teste de sprints repetidos. Além disso, foi registrada a percepção de esforço dos atletas após cada aquecimento.

Principais Conclusões

Os resultados mostraram que o aquecimento com jogos reduzidos em um campo de 30m x 15m melhorou significativamente o desempenho no salto em distância, em comparação com o aquecimento tradicional. No entanto, essa modalidade também resultou em uma maior percepção de esforço por parte dos jogadores.

Já o aquecimento com jogos em um campo menor (15m x 15m) não apresentou diferenças significativas no desempenho físico em relação ao aquecimento tradicional. Outro achado importante foi a correlação entre o percentual de gordura corporal e o desempenho nos testes de agilidade e sprints repetidos.

Jogadores com maior percentual de gordura corporal tiveram piores resultados nesses testes, sugerindo que a composição corporal pode ser um fator limitante para o desempenho físico em jovens atletas.

Implicações Práticas

Os pesquisadores destacam que o uso de jogos reduzidos como parte do aquecimento pode ser uma estratégia eficaz para melhorar o poder muscular dos jogadores, especialmente quando realizados em campos maiores.

No entanto, é importante considerar que essa modalidade exige mais esforço dos atletas, o que pode impactar sua energia para o treino ou jogo subsequente. Além disso, o estudo reforça a importância de monitorar a composição corporal dos jovens jogadores, já que o excesso de gordura corporal pode prejudicar o desempenho em atividades que exigem agilidade e velocidade.

Os treinadores devem trabalhar em conjunto com nutricionistas para garantir que os atletas mantenham uma dieta equilibrada, visando otimizar seu desempenho físico.

 
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João Bonfatti

João Bonfatti atualmente trabalha como Coordenador do setor de Análise de Desempenho no América-MG. Antes disso, teve passagens pelo Vasco da Gama, onde atuou em diferentes categorias: foi auxiliar técnico do Sub-20, treinador interino do Sub-17 e auxiliar técnico do Sub-17.

Atuou também pelo Atlético-MG, onde desempenhou o papel de auxiliar técnico do Sub-15. No Corinthians, auxiliar técnico do Sub-14, além de exercer a função de supervisor metodológico.

Sua formação inclui o Bacharelado em Futebol pela Universidade Federal de Viçosa e a Licença B da CBF Academy, o que reforça sua base teórica e prática no desenvolvimento de atletas.

Felipe Bonholi

Felipe Bonholi integra a equipe do Palmeiras como Analista de Desempenho no Centro de Formação de Atletas (CFA), contribuindo para o desenvolvimento e acompanhamento de jovens talentos.

Antes disso, acumulou cinco anos de experiência na Ferroviária, onde atuou como Analista de Desempenho da equipe profissional, e no São Carlos Futebol Clube na mesma função.

Sua formação acadêmica inclui Bacharelado em Administração de Empresas pela UNIARA (2014–2017) e graduação em andamento em Educação Física pela mesma instituição, iniciada em 2019.

Com sólida base teórica e ampla experiência prática, Felipe Bonholi se destaca por sua capacidade de integrar análise técnica, gestão e visão estratégica no contexto esportivo, contribuindo para o desempenho e evolução de atletas e equipes.

Mylena Baransk

Mylena Baransk é doutora em Educação Física pela Universidade Federal do Paraná e mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, onde também concluiu sua graduação em Educação Física – Bacharelado. Especialista em futsal com foco em análise de desempenho, atuou como docente em cursos do ensino superior e analista de desempenho no futebol.

Atualmente, exerce a função de analista de desempenho no Clube Atlético Mineiro, onde trabalha desde agosto de 2024. Antes disso, desempenhou a mesma função na Associação Ferroviária de Esportes entre março e agosto de 2024, atuando em Araraquara, São Paulo.

Além da atuação em clubes, possui experiência acadêmica como docente, tendo lecionado na UniCesumar entre julho e outubro de 2023, em Curitiba, Paraná. Também foi professora na UNIFATEB, onde atuou por quase três anos, de fevereiro de 2021 a outubro de 2023, em Telêmaco Borba, Paraná.

Com forte presença na área de análise de desempenho no futebol, também é CEO da Statisticsfut, onde se dedica ao desenvolvimento de conteúdos e estratégias voltadas à análise estatística e desempenho esportivo.

Nathália Arnosti

Nathália Arnosti é uma profissional de destaque na área de Fisiologia do Esporte e Preparação Física, com sólida formação acadêmica e ampla experiência no futebol brasileiro.

Bacharel e mestre em Educação Física pela Universidade Metodista de Piracicaba e doutora pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ela construiu uma carreira marcada pela integração entre ciência e prática esportiva.

No cenário dos clubes, já contribuiu com equipes como Athletico Paranaense, Red Bull Bragantino, Palmeiras, Audax, Ferroviária e Ponte Preta. Em janeiro de 2024, assumiu o cargo de fisiologista do Cruzeiro, reforçando seu papel como referência no acompanhamento e otimização do desempenho esportivo.

Rodrigo Aquino

Rodrigo Aquino é professor na Universidade Federal do Espírito Santo, onde atua no Departamento de Desportos e como docente do Programa de Pós-Graduação em Educação Física (Mestrado e Doutorado).

É líder do Grupo de Estudos Pesquisa em Ciências no Futebol (GECIF/UFES) e coordenador do Programa Academia e Futebol (Núcleo UFES), financiado pelo Ministério do Esporte. Seu trabalho envolve a coordenação de projetos técnico-científicos em parceria com categorias de base e equipes profissionais de futebol no Brasil.

Rodrigo é graduado em Educação Física e Esporte pela USP, com especialização em Ciências do Desporto pela Universidade do Porto. Concluiu o mestrado e doutorado em Ciências também pela USP. Acumula experiência prática no futebol desde 2015 como fisiologista e preparador físico em clubes profissionais, além de atuar como treinador e coordenador técnico em categorias de base. Reconhecido academicamente, está entre os 10 cientistas do esporte mais produtivos da América Latina em publicações científicas relacionadas ao futebol.

Neto Pereira

Neto Pereira é um profissional de preparação física e performance esportiva com experiência em clubes do Brasil e do exterior. Atualmente é Preparador Físico no sub-20 do Vasco da Gama.

Trabalhou como Head Performance and Fitness Coach no FC Semey do Cazaquistão (2024). Foi Preparador Físico no Confiança (2023-2024) e Head of Performance and Health no Avaí (2022-2023). Também exerceu o cargo de Coordenador de Performance no Confiança (2022) e trabalhou como Fisiologista no CRB (2021-2022) e no próprio Confiança (2019-2021).

Possui Mestrado em Saúde e Educação Física pela Universidade Federal de Sergipe e Especialização em Desempenho Humano pela Universidade Tiradentes (Unit). Suas principais competências incluem preparação física, análise de desempenho, força, potência e velocidade no esporte.

Rafael Grazioli

Rafael Grazioli, natural de Canoas (RS), é formado em Educação Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde também concluiu mestrado e doutorado em Ciências do Movimento Humano.

Com nove anos de experiência atuando como coordenador científico e fisiologista no futebol profissional, ele passou as últimas três temporadas no Guarani de Campinas (SP) antes de ser anunciado pelo Criciúma em janeiro de 2025.