Redes sociais podem afetar a saúde mental dos atletas?

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Estudo publicado em 2026 por pesquisadores espanhóis, reúne evidências sobre os efeitos do uso das redes sociais na saúde mental de atletas e mostra que o impacto depende mais da forma de utilização do que simplesmente do tempo de exposição.

As redes sociais fazem parte da rotina de atletas de diferentes níveis competitivos, mas quais são os impactos desse uso sobre a saúde mental? Uma revisão sistemática publicada em 2026 na revista científica Frontiers in Sports and Active Living buscou reunir as evidências disponíveis sobre a relação entre redes sociais e saúde mental em atletas.

Intitulado “The impact of social media on athletes’ mental health: a systematic review”, o estudo analisou pesquisas publicadas entre 2022 e 2025 e incluiu 11 estudos na síntese final. As investigações envolveram atletas adolescentes, universitários, de diferentes níveis competitivos e paratletas.

Uso das redes sociais e resultados negativos

De maneira geral, os estudos analisados encontraram associações entre níveis mais elevados de uso das redes sociais, uso problemático ou interferência das redes na rotina e indicadores menos favoráveis de saúde mental.

Entre os resultados observados estão ansiedade, sintomas depressivos, sofrimento emocional, alterações no sono, burnout, preocupações com a imagem corporal e comportamentos alimentares desordenados.

Entretanto, os autores destacam que não é possível interpretar esses resultados simplesmente como uma relação entre “mais tempo nas redes = pior saúde mental”.

Um dos aspectos que mais chamou atenção foi justamente o tipo de utilização. O uso passivo, caracterizado principalmente por navegar e consumir conteúdos sem interação, apresentou associações mais consistentes com resultados negativos, especialmente quando acompanhado de comparação social desfavorável.

A comparação social aparece como um dos principais mecanismos

A comparação social, especialmente relacionada à aparência física, aparece como um dos mecanismos centrais identificados pela revisão.

Em ambientes digitais com forte presença de imagens, como o Instagram, a exposição a conteúdos idealizados relacionados ao corpo e ao desempenho esportivo pode favorecer comparações e estar associada a preocupações com a imagem corporal, burnout e risco de comportamentos alimentares desordenados.

Os resultados também indicam que esses efeitos podem variar entre diferentes grupos de atletas. Em um dos estudos, por exemplo, a associação entre uso das redes sociais e risco de transtornos alimentares foi mais forte entre atletas mulheres e aqueles que competiam em níveis esportivos mais elevados.

Redes sociais também podem ter efeitos positivos

A revisão não apresenta as redes sociais exclusivamente como um fator negativo.

Alguns estudos identificaram possíveis efeitos positivos ou adaptativos, dependendo do contexto e da maneira como as plataformas são utilizadas.

Um dos estudos encontrou associação entre uma apresentação mais autêntica de si nas redes sociais e maior autoestima entre atletas adolescentes. Outro observou que, durante a pandemia de COVID-19, maior utilização das redes esteve associada a menores níveis de solidão, estresse e ansiedade entre atletas universitários.

Os estudos qualitativos também mostraram atletas utilizando as redes para expressar sua identidade, combater estereótipos e construir ambientes digitais mais favoráveis ao próprio bem-estar.

O que isso significa para atletas?

A principal mensagem da revisão é que o impacto das redes sociais parece depender da forma como elas são utilizadas, e não apenas da quantidade de tempo gasto nelas.

Uso passivo, comparação social desfavorável, exposição excessiva e interferência na rotina aparecem associados a maior risco psicológico. Em contrapartida, utilização ativa, intencional e socialmente significativa pode apresentar efeitos mais positivos ou protetores.

Por isso, os autores sugerem que intervenções de psicologia do esporte não deveriam se limitar a recomendar simplesmente uma redução do tempo de tela. É necessário compreender o que o atleta faz nas redes, quais conteúdos consome, como reage às comparações e de que maneira esse uso se relaciona com sono, humor, burnout e imagem corporal.

Conclusão

A revisão indica que as redes sociais devem ser compreendidas como um fator contextual na saúde mental dos atletas. Elas podem representar uma fonte de pressão e comparação, mas também podem oferecer conexão social, expressão de identidade e suporte.

Assim, mais do que perguntar “quanto tempo o atleta passa nas redes sociais?”, parece ser necessário perguntar “como, por que e em qual contexto ele utiliza essas plataformas?”.

Os autores reforçam a necessidade de novos estudos longitudinais, experimentais e específicos para atletas de elite para compreender melhor essa relação e determinar os mecanismos envolvidos.

O artigo completo está disponível clicando aqui

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Traduzido com auxílio de IA*