Um estudo recente investigou como a realização de exercícios físicos específicos durante o intervalo de uma partida de futebol pode influenciar a capacidade de explosão e velocidade das atletas profissionais. A investigação focou-se na transição entre o descanso passivo e o reinício do jogo, um período crítico onde a temperatura muscular tende a baixar, o que pode prejudicar o rendimento inicial na segunda etapa.
O trabalho foi desenvolvido por uma equipa de especialistas, incluindo Marco Abreu, Fábio Y. Nakamura, Thiago Carvalho, Davi Silva e José Afonso. Os investigadores pertencem a instituições como a Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP), a Universidade da Maia e a Universidade Federal de Pernambuco. O artigo científico foi publicado na revista International Journal of Sports Physiology and Performance em fevereiro de 2026.
Objetivo da investigação
O principal propósito deste estudo exploratório foi avaliar os efeitos de um protocolo de reaquecimento de curta duração — apenas 3 minutos — no desempenho de sprints (corridas curtas de alta velocidade) e saltos em jogadoras de futebol profissional. Os autores procuraram encontrar uma solução que fosse funcional para o ambiente real de jogo, onde o tempo é limitado por instruções táticas e hidratação.
Metodologia aplicada
A pesquisa contou com a participação de 22 jogadoras profissionais de dois clubes portugueses das primeira e segunda divisões. As atletas foram divididas em dois grupos: um grupo de controle, que permaneceu em repouso passivo durante o intervalo, e um grupo experimental, que realizou o protocolo “Integrated Re-warm-up soccer” (IRW-Soccer).
Este protocolo consistiu em seis exercícios de potência do programa FIFA 11+ (como agachamentos com salto e lances laterais) seguidos por um jogo em campo reduzido de 5 contra 5. O desempenho foi testado através de um sprint de 20 metros e um salto vertical imediatamente antes e depois da intervenção no intervalo.
Conclusões práticas e causas do desempenho
Os resultados demonstraram que o grupo que realizou o reaquecimento de 3 minutos obteve uma melhoria superior no tempo de sprint em comparação com as jogadoras que ficaram em repouso. Embora ambos os grupos tenham apresentado uma redução na altura do salto após o intervalo, essa queda foi menor naquelas que se mantiveram ativas.
A explicação para estes benefícios reside na manutenção da prontidão neuromuscular e da temperatura corporal. O descanso passivo prolongado pode causar uma queda de 1,5°C a 2,0°C na temperatura dos músculos, o que reduz a potência muscular; estima-se que cada grau de temperatura mantido possa representar um ganho de 2% a 5% na capacidade de explosão. Ao integrar exercícios de força e movimentos específicos do futebol nos minutos finais do descanso, as atletas conseguem contrariar o arrefecimento físico e entrar na segunda metade do jogo com uma capacidade de resposta mecânica mais eficiente.
O artigo completo está disponível clicando aqui
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