Um estudo realizado com atletas de uma equipe da segunda divisão da Espanha demonstrou que a percepção de esforço muscular é consistentemente superior à percepção respiratória ao longo de toda a temporada. A pesquisa monitorou jogadores profissionais durante 44 semanas, abrangendo tanto o período de pré-temporada quanto a fase de competições. Os dados indicam que, embora o treinamento seja coletivo, as respostas internas dos atletas variam de forma considerável, o que sugere uma necessidade de abordagens mais individualizadas no cotidiano dos clubes.
O artigo foi desenvolvido por pesquisadores vinculados à Universidade Pública de Navarra e à Universidade do País Basco, na Espanha. Entre os autores estão Unai Azcárate, Ana Beatriz Bays-Moneo, María M. Antón e Javier Yanci. O estudo científico foi publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature, no ano de 2025.
O Propósito da Investigação
O objetivo central da análise foi descrever a carga de treinamento semanal individual e comparar a variabilidade entre a pré-temporada e o período competitivo. Os pesquisadores buscaram entender como os jogadores respondem ao estresse físico em diferentes momentos do ano, diferenciando o esforço percebido nas pernas (muscular) do esforço sentido nos pulmões (respiratório).
Procedimentos e Coleta de Dados
Para realizar o estudo, 21 jogadores profissionais foram acompanhados de perto. A metodologia utilizou o método da Percepção Subjetiva de Esforço Diferenciada (dRPE), no qual o atleta atribui uma nota de 0 a 10 para o cansaço muscular e outra para o respiratório cerca de dez minutos após cada sessão ou partida.
Esse valor é multiplicado pelo tempo total de atividade para gerar a carga interna de treinamento em unidades arbitrárias. Diferente de estudos anteriores, esta pesquisa incluiu todos os jogadores do elenco, independentemente de terem completado todas as sessões da semana, para refletir o cenário real de um clube profissional, onde ocorrem lesões e suspensões.
Resultados e Conclusões Práticas
Os dados revelaram que as cargas de treinamento e a variabilidade entre os jogadores são maiores na pré-temporada do que durante o campeonato. Um ponto de destaque é que a percepção muscular foi sempre mais alta que a respiratória. Isso ocorre porque os exercícios comuns no futebol, como sprints, saltos e mudanças de direção, possuem uma natureza neuromuscular acentuada, gerando mais fadiga local e dor muscular do que tarefas puramente cardiovasculares.
Como conclusão prática, os autores discutem que confiar apenas em médias da equipe pode mascarar tendências individuais de risco ou adaptação. O estudo recomenda que treinadores e preparadores físicos utilizem o monitoramento individualizado para ajustar o trabalho de recuperação ou reduzir a carga de atletas que reportam percepções de esforço muito elevadas para o mesmo estímulo dado aos colegas, auxiliando na prevenção de lesões e na otimização do rendimento.
O artigo completo está disponível clicando aqui
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