Por que o Futsal ainda não é um Esporte Olímpico?

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Foto de Attareza Naufal na Unsplash

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O futsal é, sem dúvidas, um dos esportes mais populares no Brasil e em todo o mundo. No entanto, muitos fãs sempre se perguntaram por que esse esporte, tão praticado e amado, não faz parte das Olimpíadas? Neste texto, vamos explicar alguns pontos importantes que podem te ajudar a entender melhor essa decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) e discutiremos se há perspectivas para o futsal se tornar um esporte olímpico no futuro.

Quais os critérios para um esporte se tornar olímpico? 

É importante ressaltar que a inclusão de um esporte nas Olimpíadas é uma decisão do COI, entidade essa que é composta por 206 Comitês Olímpicos Nacionais (CONs). Embora não existam critérios definitivos, o COI segue uma certa linha de raciocínio ao considerar a inclusão de um esporte no programa olímpico. Alguns dos critérios usados pelo COI incluem:

Organização internacional

Para o COI, é importante que o esporte tenha uma federação que supervisione a modalidade em todo o mundo, estabelecendo regras e organizando competições. No entanto, também é necessário que haja um acordo sólido entre o COI e a federação desse esporte em questão, para evitar conflitos de interesses.

Tradição

O COI valoriza a tradição do esporte em escala global. Embora o futsal tenha surgido em meados dos anos 30 no Uruguai, apenas em 1980 foi consolidado como um esporte amplamente conhecido ao redor do mundo. Portanto, aos olhos do comitê, o futsal não possui a mesma relevância histórica que outros esportes, como o atletismo e o futebol, por exemplo.

Proibições

Esportes que necessitam de propulsão mecânica são proibidos dos jogos olímpicos. Então, o automobilismo, apesar de ser considerado um esporte, não está dentro dos critérios para se participar das competições.

Acontece o mesmo com os dados “esportes mentais”, como o xadrez por exemplo. 

Conflitos de interesse

Um dos maiores obstáculos para o futsal se tornar um esporte olímpico é o fato de que a FIFA não abre mão de que a Copa do Mundo de Futsal, que ocorre no mesmo ano das Olimpíadas, seja realizada. Portanto, a FIFA acredita que a participação das seleções de futsal nas Olimpíadas em julho interfere no Mundial, que acontece no final de agosto, e, por essa razão, não faz esforços para incluir o esporte nas Olimpíadas. Para o COI, não interessa a inclusão do esporte, pois acreditam que isso poderia aumentar a visibilidade de um esporte organizado pela FIFA, e, dessa forma, a negociação não avança.

Isso não ocorre com o futebol, devido à sua ampla popularidade em comparação ao futsal, e a FIFA concorda em permitir apenas a participação de seleções sub-23, com a inclusão de 2 jogadores com maior idade.

Perspectivas para o Futuro

Apesar de todos os obstáculos, o futsal vem ganhando cada vez mais espaço e investimento ao redor do mundo. Em 2018, o futsal fez parte das Olimpíadas da Juventude, competição essa que é tratada como uma forma do COI testar um novo esporte em seu quadro de modalidades. Outra coisa que pode dar mais esperanças aos amantes do futsal é o futuro incerto do futebol no quadro olímpico. Portanto, o Comitê Olímpico Internacional já anunciou novas modalidades para as Olimpíadas de 2028, que acontecerão em Los Angeles, e o futsal não foi incluído. São elas: Flag Football, Squash, Críquete e Lacrosse.

Embora o futsal ainda não seja um esporte olímpico, sua história e popularidade continuam a crescer ao redor do mundo e a modalidade está a cada dia mais próxima de aparecer nas próximas edições das Olimpíadas. 

Por fim, apesar dos conflitos de interesses e criterios do COI impediram que o futsal já estivesse no quadro olimpico, há cada dia mais esperanças que essa situação possa ser revertida. A história e popularidade do futsal continuam a crescer ao redor do mundo e a modalidade está a cada dia mais próxima de aparecer nas próximas edições das Olimpíadas. 

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João Bonfatti

João Bonfatti atualmente trabalha como Coordenador do setor de Análise de Desempenho no América-MG. Antes disso, teve passagens pelo Vasco da Gama, onde atuou em diferentes categorias: foi auxiliar técnico do Sub-20, treinador interino do Sub-17 e auxiliar técnico do Sub-17.

Atuou também pelo Atlético-MG, onde desempenhou o papel de auxiliar técnico do Sub-15. No Corinthians, auxiliar técnico do Sub-14, além de exercer a função de supervisor metodológico.

Sua formação inclui o Bacharelado em Futebol pela Universidade Federal de Viçosa e a Licença B da CBF Academy, o que reforça sua base teórica e prática no desenvolvimento de atletas.

Felipe Bonholi

Felipe Bonholi integra a equipe do Palmeiras como Analista de Desempenho no Centro de Formação de Atletas (CFA), contribuindo para o desenvolvimento e acompanhamento de jovens talentos.

Antes disso, acumulou cinco anos de experiência na Ferroviária, onde atuou como Analista de Desempenho da equipe profissional, e no São Carlos Futebol Clube na mesma função.

Sua formação acadêmica inclui Bacharelado em Administração de Empresas pela UNIARA (2014–2017) e graduação em andamento em Educação Física pela mesma instituição, iniciada em 2019.

Com sólida base teórica e ampla experiência prática, Felipe Bonholi se destaca por sua capacidade de integrar análise técnica, gestão e visão estratégica no contexto esportivo, contribuindo para o desempenho e evolução de atletas e equipes.

Mylena Baransk

Mylena Baransk é doutora em Educação Física pela Universidade Federal do Paraná e mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, onde também concluiu sua graduação em Educação Física – Bacharelado. Especialista em futsal com foco em análise de desempenho, atuou como docente em cursos do ensino superior e analista de desempenho no futebol.

Atualmente, exerce a função de analista de desempenho no Clube Atlético Mineiro, onde trabalha desde agosto de 2024. Antes disso, desempenhou a mesma função na Associação Ferroviária de Esportes entre março e agosto de 2024, atuando em Araraquara, São Paulo.

Além da atuação em clubes, possui experiência acadêmica como docente, tendo lecionado na UniCesumar entre julho e outubro de 2023, em Curitiba, Paraná. Também foi professora na UNIFATEB, onde atuou por quase três anos, de fevereiro de 2021 a outubro de 2023, em Telêmaco Borba, Paraná.

Com forte presença na área de análise de desempenho no futebol, também é CEO da Statisticsfut, onde se dedica ao desenvolvimento de conteúdos e estratégias voltadas à análise estatística e desempenho esportivo.

Nathália Arnosti

Nathália Arnosti é uma profissional de destaque na área de Fisiologia do Esporte e Preparação Física, com sólida formação acadêmica e ampla experiência no futebol brasileiro.

Bacharel e mestre em Educação Física pela Universidade Metodista de Piracicaba e doutora pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ela construiu uma carreira marcada pela integração entre ciência e prática esportiva.

No cenário dos clubes, já contribuiu com equipes como Athletico Paranaense, Red Bull Bragantino, Palmeiras, Audax, Ferroviária e Ponte Preta. Em janeiro de 2024, assumiu o cargo de fisiologista do Cruzeiro, reforçando seu papel como referência no acompanhamento e otimização do desempenho esportivo.

Rodrigo Aquino

Rodrigo Aquino é professor na Universidade Federal do Espírito Santo, onde atua no Departamento de Desportos e como docente do Programa de Pós-Graduação em Educação Física (Mestrado e Doutorado).

É líder do Grupo de Estudos Pesquisa em Ciências no Futebol (GECIF/UFES) e coordenador do Programa Academia e Futebol (Núcleo UFES), financiado pelo Ministério do Esporte. Seu trabalho envolve a coordenação de projetos técnico-científicos em parceria com categorias de base e equipes profissionais de futebol no Brasil.

Rodrigo é graduado em Educação Física e Esporte pela USP, com especialização em Ciências do Desporto pela Universidade do Porto. Concluiu o mestrado e doutorado em Ciências também pela USP. Acumula experiência prática no futebol desde 2015 como fisiologista e preparador físico em clubes profissionais, além de atuar como treinador e coordenador técnico em categorias de base. Reconhecido academicamente, está entre os 10 cientistas do esporte mais produtivos da América Latina em publicações científicas relacionadas ao futebol.

Neto Pereira

Neto Pereira é um profissional de preparação física e performance esportiva com experiência em clubes do Brasil e do exterior. Atualmente é Preparador Físico no sub-20 do Vasco da Gama.

Trabalhou como Head Performance and Fitness Coach no FC Semey do Cazaquistão (2024). Foi Preparador Físico no Confiança (2023-2024) e Head of Performance and Health no Avaí (2022-2023). Também exerceu o cargo de Coordenador de Performance no Confiança (2022) e trabalhou como Fisiologista no CRB (2021-2022) e no próprio Confiança (2019-2021).

Possui Mestrado em Saúde e Educação Física pela Universidade Federal de Sergipe e Especialização em Desempenho Humano pela Universidade Tiradentes (Unit). Suas principais competências incluem preparação física, análise de desempenho, força, potência e velocidade no esporte.

Rafael Grazioli

Rafael Grazioli, natural de Canoas (RS), é formado em Educação Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde também concluiu mestrado e doutorado em Ciências do Movimento Humano.

Com nove anos de experiência atuando como coordenador científico e fisiologista no futebol profissional, ele passou as últimas três temporadas no Guarani de Campinas (SP) antes de ser anunciado pelo Criciúma em janeiro de 2025.