Um estudo publicado em 2026 no Journal of Human Kinetics analisou o perfil aceleração-velocidade de 737 jogadores profissionais de futebol, buscando entender como as capacidades de aceleração e velocidade variam de acordo com o sexo, o nível competitivo e a posição de jogo. A pesquisa utilizou dados de partidas oficiais coletados por GPS de 18 Hz, permitindo analisar tanto o perfil aceleração-velocidade quanto os valores máximos de aceleração e velocidade registrados durante os jogos.
O que é o perfil aceleração-velocidade?
O perfil aceleração-velocidade (AS) é uma abordagem que permite estimar as capacidades de aceleração e velocidade máxima de um jogador a partir de dados coletados durante treinamentos ou partidas.
O método utiliza dois indicadores principais:
- A0: aceleração máxima teórica;
- S0: velocidade máxima teórica.
Além deles, o estudo também analisou diretamente a aceleração máxima (MaxAcc) e a velocidade máxima (MaxSpeed) obtidas nos jogos. Uma das vantagens apontadas pelos autores é a possibilidade de monitorar essas capacidades utilizando dados de GPS coletados durante a própria rotina competitiva, sem depender exclusivamente de testes específicos realizados fora do contexto do jogo.
Como o estudo foi realizado?
A amostra contou com 737 jogadores profissionais, sendo 574 homens e 163 mulheres, pertencentes a 72 equipes de quatro categorias do futebol mexicano.
Foram analisadas:
- Primeira Divisão masculina;
- Segunda Divisão masculina;
- Sub-20 masculino;
- Primeira Divisão feminina.
Os jogadores foram acompanhados durante 5 a 10 partidas oficiais, e somente atletas que participaram de pelo menos cinco jogos completos foram incluídos na análise. Os dados foram coletados ao longo de oito semanas da temporada 2022–2023, entre setembro e outubro.
O nível competitivo também fez diferença
Além das diferenças entre homens e mulheres, em que os homens apresentaram maiores valores de aceleração e velocidade; o estudo encontrou uma tendência de maiores capacidades de aceleração e velocidade nos jogadores de níveis competitivos mais elevados.
De maneira geral, os atletas da Primeira Divisão masculina apresentaram valores superiores aos da Segunda Divisão, que, por sua vez, apresentaram valores superiores aos jogadores Sub-20 em diversas variáveis.
Uma exceção apareceu para a velocidade máxima teórica, no qual os jogadores Sub-20 apresentaram valores ligeiramente superiores aos da Segunda Divisão.
Para os autores, esses resultados reforçam o potencial do perfil aceleração-velocidade como uma ferramenta capaz de diferenciar níveis competitivos e contribuir para a construção de valores de referência, além de aplicações relacionadas à identificação de talentos e à individualização do treinamento.
A posição do jogador também importa
Outro ponto interessante do estudo foi a análise por posição. Na Primeira Divisão masculina, os meio-campistas apresentaram menor velocidade máxima em comparação com laterais, atacantes e meias abertos. O mesmo padrão apareceu na Segunda Divisão: os meio-campistas apresentaram valores menores de MaxSpeed do que laterais e atacantes.
Os autores relacionam essas diferenças às características das funções desempenhadas em campo. Jogadores de posições como atacantes, meias abertos e laterais estão frequentemente envolvidos em ações de alta velocidade e percorrem maiores distâncias em velocidades elevadas.
Já os meio-campistas atuam com maior frequência em regiões centrais do campo, onde há maior densidade de jogadores e maior participação em ações de passe e retenção da bola. Curiosamente, não foram encontradas diferenças significativas entre as posições na Primeira Divisão feminina.
O que isso significa para o monitoramento?
Um dos principais pontos práticos do estudo é que não parece adequado trabalhar com um único valor de referência de aceleração e velocidade para todos os jogadores. Os resultados apontam para a necessidade de considerar pelo menos: sexo + nível competitivo + posição de jogo.
Isso pode ser particularmente relevante para profissionais que utilizam GPS no monitoramento das cargas externas. Em vez de interpretar a velocidade máxima de um atleta apenas comparando-a com uma referência geral, o contexto do jogador precisa ser considerado.
O próprio artigo conclui que treinadores e profissionais de força e condicionamento devem utilizar análises do perfil aceleração-velocidade específicas para sexo e posição, especialmente no monitoramento de jogadores de diferentes níveis competitivos.
Conclusão prática
O estudo mostra que o perfil aceleração-velocidade pode fornecer informações relevantes sobre as capacidades físicas de jogadores de futebol, mas sua interpretação precisa considerar o contexto.
Os resultados indicam diferenças relacionadas ao sexo, nível competitivo e posição de jogo, reforçando a importância de evitar referências generalizadas para todos os atletas.
Para profissionais que trabalham com monitoramento e preparação física, a principal mensagem é clara: o dado de GPS ganha mais significado quando interpretado dentro do contexto do jogador e da função que ele desempenha em campo.
O artigo completo está disponível clicando aqui
Para receber conteúdos como esse em seu e-mail, participe da nossa Newsletter.
Tradução e adaptação com auxílio de IA. Revisão de João Vítor de Assis.
Publicidade:
