Estudo investigou o impacto do uso de smartphones no sono e no desempenho de jogadores de futebol

0
8

O uso de smartphones antes de dormir pode afetar mais do que a qualidade do sono. Um estudo publicado na revista Biology of Sport investigou os efeitos da exposição noturna a dispositivos eletrônicos sobre o sono e o desempenho cognitivo e físico de jogadores de futebol de elite.

A pesquisa contou com 16 jogadores de futebol do sexo masculino, com idade média de 19,75 anos, vinculados a um clube profissional que disputava a primeira divisão da Tunísia. Os atletas realizavam cinco sessões de treinamento por semana e apresentavam, antes do experimento, uma duração habitual de sono de aproximadamente 7,5 horas por noite.

Como o estudo foi realizado?

Os jogadores participaram de duas condições experimentais, separadas por uma semana. Em uma delas, utilizaram um dispositivo eletrônico durante duas horas antes de dormir, entre 20h e 22h, por cinco noites consecutivas. Na condição de controle, passaram o mesmo período lendo revistas impressas.

Os conteúdos apresentados no dispositivo foram padronizados e tinham caráter neutro, sem estímulos emocionais ou cognitivos relevantes. O ambiente, a alimentação, os horários de sono e a carga de treinamento também foram controlados durante o experimento.

Após o primeiro, terceiro e quinto dias, os atletas realizaram avaliações pela manhã, entre 7h e 8h30, e à tarde, entre 17h e 18h30. Foram analisados aspectos como tempo de reação, atenção, memória de trabalho, salto vertical e agilidade reativa, além de diferentes indicadores relacionados ao sono.

Uso noturno afetou o sono

Os resultados mostraram uma piora significativa na qualidade do sono após o uso noturno do dispositivo.

Os atletas apresentaram maior sonolência, menor tempo total de sono, maior tempo para adormecer e menor eficiência do sono. A sonolência também aumentou progressivamente ao longo do período experimental: a pontuação média na Escala de Sonolência de Epworth passou de 6,6 após o primeiro dia para 11,9 após o terceiro e 13,3 após o quinto dia. Na condição de controle, as pontuações permaneceram próximas de 6.

E o desempenho dos jogadores?

As alterações não ficaram restritas ao sono. Após cinco noites de exposição noturna, os pesquisadores observaram mudanças em medidas de desempenho cognitivo e físico.

Nos testes de tempo de reação simples e de escolha, o desempenho piorou principalmente nas avaliações realizadas à tarde. O estudo também identificou alterações nos testes de atenção e nas avaliações de funções cognitivas.

No desempenho físico, os resultados indicaram redução da capacidade de salto após cinco noites de uso do dispositivo, especialmente nas avaliações da tarde. O mesmo padrão foi observado no salto com contramovimento e balanço dos braços.

A agilidade reativa também apresentou alterações ao longo do experimento, com diferenças relacionadas ao horário do dia após a exposição noturna ao dispositivo.

O que isso significa para o futebol?

Para os autores, os resultados indicam que o uso de dispositivos eletrônicos próximo ao horário de dormir merece atenção dentro da rotina de atletas de alto rendimento. A exposição durante cinco noites consecutivas esteve associada a prejuízos no sono e em medidas de desempenho cognitivo e físico, com efeitos particularmente perceptíveis nas avaliações realizadas à tarde.

Na prática, os pesquisadores destacam a possibilidade de estabelecer períodos sem dispositivos antes de dormir. Também sugerem que, quando a exposição noturna não puder ser evitada, a organização dos horários de treinamento pode ser considerada de acordo com os efeitos observados.

É importante, porém, evitar generalizações. A pesquisa envolveu apenas 16 jogadores homens de elite, e os próprios autores ressaltam que estudos maiores são necessários para verificar se os resultados se repetem em atletas de outros níveis, mulheres, outras modalidades esportivas e diferentes faixas etárias. Além disso, o experimento teve duração de apenas cinco noites.

O artigo completo está disponível clicando aqui

Para receber conteúdos como esse em seu e-mail, participe da nossa Newsletter.