Bio-banding muda a forma como especialistas avaliam comportamentos psicossociais no futebol de base

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Artigo científico analisou como o bio-banding, método que agrupa jogadores de acordo com o estágio de maturação biológica e não apenas pela idade cronológica, influencia a forma como especialistas em identificação de talentos avaliam comportamentos psicossociais de jovens jogadores em partidas de futebol.

A pesquisa foi conduzida por James Robinson e colaboradores, envolvendo pesquisadores de universidades do Reino Unido e da Alemanha, como a University of Hull, York St John University, Leeds Beckett University e Saarland University, em parceria com profissionais ligados a academias de futebol.

O artigo foi publicado em 2025 no Journal of Sports Sciences, uma revista científica internacional da área de Ciências do Esporte.

Qual foi o objetivo do estudo?

O objetivo foi investigar se o uso do bio-banding altera a percepção dos avaliadores sobre comportamentos psicossociais considerados relevantes para o desenvolvimento e a identificação de talentos no futebol, como tomada de decisão, compostura, confiança, competitividade, resiliência, comunicação e criatividade.

Participaram do estudo 118 jogadores do sexo masculino, entre 12 e 16 anos, vinculados a equipes da Junior Premier League, na Inglaterra. Os atletas disputaram, no mesmo dia, seis jogos de 20 minutos, sendo três organizados por idade cronológica e três organizados por bio-banding.

A maturação biológica foi estimada por meio do percentual da altura adulta prevista, método amplamente utilizado em pesquisas sobre desenvolvimento físico. Com isso, os jogadores foram classificados como pré-pico de crescimento, durante o pico ou pós-pico.

Durante as partidas, 14 especialistas em identificação de talentos avaliaram os jogadores utilizando a Hull Soccer Behavioural Scoring Tool, uma ferramenta validada que atribui notas de 1 a 5 para diferentes comportamentos psicossociais observados em jogo.

Quais foram os principais resultados?

Os resultados mostraram que, de forma geral, os jogadores receberam avaliações mais altas em partidas com bio-banding em comparação às partidas organizadas apenas por idade. Os comportamentos que mais se destacaram foram a tomada de decisão, a manutenção da compostura sob pressão, a confiança, a competitividade e o X-factor.

Jogadores menos maturados biologicamente apresentaram melhorias mais claras em tomada de decisão e controle emocional quando jogaram contra atletas em estágios semelhantes de desenvolvimento físico. Isso ocorre porque a redução das diferenças físicas diminui a pressão imposta pelo confronto com jogadores mais fortes e rápidos, permitindo maior envolvimento no jogo e mais oportunidades para decidir com a bola.

Já os jogadores com maturação dentro do esperado para a idade foram percebidos como mais confiantes, competitivos e criativos no contexto do bio-banding. Nesse cenário, o jogo se tornou mais equilibrado fisicamente, o que favoreceu a expressão de habilidades técnicas e comportamentais que podem ficar ocultas em competições tradicionais.

Para os jogadores mais maturados, o bio-banding reduziu a vantagem física habitual. Como consequência, esses atletas precisaram lidar com situações de maior dificuldade técnica e tática, o que levou os avaliadores a perceberem mais comportamentos ligados à adaptação e resiliência, explicando por que esse grupo também se beneficiou do formato.

O que o estudo indica na prática?

O estudo sugere que o bio-banding pode contribuir para uma avaliação mais ampla e equilibrada do talento, ao permitir que comportamentos psicossociais relevantes apareçam com maior clareza durante o jogo. Ao reduzir o impacto das diferenças de maturação física, o método ajuda a evitar avaliações baseadas apenas em força, tamanho ou velocidade, especialmente em fases do desenvolvimento marcadas por grande variação biológica.

Os autores destacam que a adoção do bio-banding, combinada com competições tradicionais, pode apoiar decisões mais precisas de seleção e retenção de jovens atletas, além de favorecer o desenvolvimento de habilidades importantes para a progressão no futebol de longo prazo.

O artigo completo está disponível clicando aqui

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Pedro Menezes

Pedro Menezes é o novo Coordenador de Performance das categorias de base do @atletico.

Formado em Educação Física pela Universidade Gama Filho (RJ), possui doutorado em Biodinâmica do Movimento Humano pela UFRJ.

Nos últimos seis anos, atuou no futebol profissional e de base do Flamengo, integrando tecnologia esportiva e ciência aplicada ao alto rendimento.

Leandro Spinola

Leandro Spinola é Sports Science Director no FC Tulsa (Estados Unidos). Trabalhou também no Memphis 901 FC na mesma função.

Experiências no Corinthians, onde foi treinador de força e potência na base; Preparador físico no Ituano e no Grêmio Esportivo Brasil; e gerente de futebol no Guarani e no Luverdense.

Bacharel em Educação Física pela Unicamp, Mestrado em Saúde e Educação Física pela UNESP e MBA em Gestão de Pessoas e Liderança Organizacional pela Universidade Brasil.

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Wesley Fernandes

Wesley Luiz Fernandes atua como Preparador Físico de Força, Condicionamento e Return to Play no Red Bull Bragantino. Também é fundador da SPAI, empresa focada em Inteligência Artificial, desenvolvimento de sistemas e pipelines de dados.

No esporte, trabalhou em clubes de futebol como Atlético-MG e América Locomotiva.

Possui formação em Ciência do Esporte (Mestrado e Bacharelado pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG) e cursa Engenharia de Software (UniCesumar).

Matheus Gasques

Matheus Gasques é Coordenador de Performance da Chapecoense.

Experiências também como Coordenador de Performance na base do Red Bull Bragantino e do Club Sporting Cristal (Peru). Foi Preparador Físico no Atlético Mineiro, Santos, América-MG, Corinthians, Barueri e Inter de Limeira.

Possui graduação em Educação Física com Especialização em Treinamento no Futebol e Licenças da CBF e AFA.

João Bonfatti

João Bonfatti atualmente trabalha como Coordenador do setor de Análise de Desempenho no América-MG. Antes disso, teve passagens pelo Vasco da Gama, onde atuou em diferentes categorias: foi auxiliar técnico do Sub-20, treinador interino do Sub-17 e auxiliar técnico do Sub-17.

Atuou também pelo Atlético-MG, onde desempenhou o papel de auxiliar técnico do Sub-15. No Corinthians, auxiliar técnico do Sub-14, além de exercer a função de supervisor metodológico.

Sua formação inclui o Bacharelado em Futebol pela Universidade Federal de Viçosa e a Licença B da CBF Academy, o que reforça sua base teórica e prática no desenvolvimento de atletas.

Felipe Bonholi

Felipe Bonholi integra a equipe do Palmeiras como Analista de Desempenho no Centro de Formação de Atletas (CFA), contribuindo para o desenvolvimento e acompanhamento de jovens talentos.

Antes disso, acumulou cinco anos de experiência na Ferroviária, onde atuou como Analista de Desempenho da equipe profissional, e no São Carlos Futebol Clube na mesma função.

Sua formação acadêmica inclui Bacharelado em Administração de Empresas pela UNIARA (2014–2017) e graduação em andamento em Educação Física pela mesma instituição, iniciada em 2019.

Com sólida base teórica e ampla experiência prática, Felipe Bonholi se destaca por sua capacidade de integrar análise técnica, gestão e visão estratégica no contexto esportivo, contribuindo para o desempenho e evolução de atletas e equipes.

Mylena Baransk

Mylena Baransk é doutora em Educação Física pela Universidade Federal do Paraná e mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, onde também concluiu sua graduação em Educação Física – Bacharelado. Especialista em futsal com foco em análise de desempenho, atuou como docente em cursos do ensino superior e analista de desempenho no futebol.

Atualmente, exerce a função de analista de desempenho no Clube Atlético Mineiro, onde trabalha desde agosto de 2024. Antes disso, desempenhou a mesma função na Associação Ferroviária de Esportes entre março e agosto de 2024, atuando em Araraquara, São Paulo.

Além da atuação em clubes, possui experiência acadêmica como docente, tendo lecionado na UniCesumar entre julho e outubro de 2023, em Curitiba, Paraná. Também foi professora na UNIFATEB, onde atuou por quase três anos, de fevereiro de 2021 a outubro de 2023, em Telêmaco Borba, Paraná.

Com forte presença na área de análise de desempenho no futebol, também é CEO da Statisticsfut, onde se dedica ao desenvolvimento de conteúdos e estratégias voltadas à análise estatística e desempenho esportivo.

Nathália Arnosti

Nathália Arnosti é uma profissional de destaque na área de Fisiologia do Esporte e Preparação Física, com sólida formação acadêmica e ampla experiência no futebol brasileiro.

Bacharel e mestre em Educação Física pela Universidade Metodista de Piracicaba e doutora pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ela construiu uma carreira marcada pela integração entre ciência e prática esportiva.

No cenário dos clubes, já contribuiu com equipes como Athletico Paranaense, Red Bull Bragantino, Palmeiras, Audax, Ferroviária e Ponte Preta. Em janeiro de 2024, assumiu o cargo de fisiologista do Cruzeiro, reforçando seu papel como referência no acompanhamento e otimização do desempenho esportivo.

Rodrigo Aquino

Rodrigo Aquino é professor na Universidade Federal do Espírito Santo, onde atua no Departamento de Desportos e como docente do Programa de Pós-Graduação em Educação Física (Mestrado e Doutorado).

É líder do Grupo de Estudos Pesquisa em Ciências no Futebol (GECIF/UFES) e coordenador do Programa Academia e Futebol (Núcleo UFES), financiado pelo Ministério do Esporte. Seu trabalho envolve a coordenação de projetos técnico-científicos em parceria com categorias de base e equipes profissionais de futebol no Brasil.

Rodrigo é graduado em Educação Física e Esporte pela USP, com especialização em Ciências do Desporto pela Universidade do Porto. Concluiu o mestrado e doutorado em Ciências também pela USP. Acumula experiência prática no futebol desde 2015 como fisiologista e preparador físico em clubes profissionais, além de atuar como treinador e coordenador técnico em categorias de base. Reconhecido academicamente, está entre os 10 cientistas do esporte mais produtivos da América Latina em publicações científicas relacionadas ao futebol.

Neto Pereira

Neto Pereira é Coordenador de Performance na base do Vasco da Gama.

Trabalhou como Head Performance and Fitness Coach no FC Semey (Cazaquistão); foi Preparador Físico no Confiança e Head of Performance and Health no Avaí. Também exerceu o cargo de Coordenador de Performance e Fisiologista no Confiança e Fisiologista no CRB.

Possui Mestrado em Saúde e Educação Física pela Universidade Federal de Sergipe e Especialização em Desempenho Humano pela Universidade Tiradentes.

Rafael Grazioli

Rafael Grazioli, natural de Canoas (RS), é formado em Educação Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde também concluiu mestrado e doutorado em Ciências do Movimento Humano.

Com nove anos de experiência atuando como coordenador científico e fisiologista no futebol profissional, ele passou as últimas três temporadas no Guarani de Campinas (SP) antes de ser anunciado pelo Criciúma em janeiro de 2025.