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Quais as principais lesões no Futebol?

Por: Ricardo Neves de Sá

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O futebol é um esporte de contato que, por consequência, possui riscos e índices de lesões altos em comparação com outros esportes. Essas lesões estão associadas à idade do jogador, carga de trabalho, padrão de treino e nível de jogo (PFIRRMANN et al., 2016). Desse modo, é importante fazermos um mapeamento das principais lesões no futebol em diferentes contextos para elucidarmos as suas principais características.

A Epidemiologia das lesões no Futebol

De acordo com estudo de Hawkins e Fuller (1999), realizado há mais de 20 anos, foi constatado que um total de 86% de todas as lesões foram localizadas na extremidade inferior do corpo. Consequentemente, as distensões, entorses e contusões representaram mais de 75% de todas as lesões em jogadores jovens e profissionais. O estudo também identificou que os locais mais comuns para a ocorrência das lesões foram: coxa (23%), tornozelo (17%) e joelho (14%). Além disso, 81% de todas as lesões na coxa foram distensões musculares e, 64% delas, na parte posterior.

Neste sentido, em estudos recentes, como na revisão sistemática de Jones e colaboradores (2019), concluiu-se que as lesões em membros inferiores foram as mais comuns, entre 72% a 93% das vezes. Neste caso, as lesões de tornozelo em combinação com os pés corresponderam a uma média de 22% a 29% de incidência entre todas as lesões. As lesões de joelho 15% a 17% e lesões nos posteriores e anteriores da coxa entre 5% e 21%.

Por outro lado, lesões reportadas apenas como coxa, foram responsáveis por 18% a 34%. E lesões na virilha (incluindo lesões de adutores, pélvis e área do quadril), apresentaram valores médios de incidência entre 11% e 19%.

Além disso, para ilustrarmos ainda mais, Materne et al. (2020) investigou jovens jogadores de futebol (Sub-9 ao Sub-19) durante quatro temporadas. Assim, este estudo apontou que lesões de pé e tornozelo eram responsáveis por 25.3% das lesões totais, enquanto joelho e quadril/pélvis, 16.5% e 12.9%, respectivamente. E a coxa foi responsável por 24.9% de todas as lesões (ver figura 1).

Figura 1. Adaptado de Materne et al. (2020). Às cinco lesões mais prevalentes para cada local com sua proporção correspondente de dias perdidos durante às quatro temporadas (prevalência% – % dias perdidos).

Portanto, o interessante em analisar os dados de estudos, distantes pelo menos 20 anos entre si, é que as características epidemiológicas das principais lesões no futebol, apresentadas entre eles, diferem-se pouco. Desse modo, no futebol atual, os membros inferiores continuam apresentando a maior incidência de lesões e as lesões de coxa persistem como as mais comuns.

Principais Lesões Musculares no Futebol

Como visto anteriormente, a maior porcentagem de lesões no futebol são as musculares. Isso é corroborado no estudo proposto por Ekstrand et al (2011), com 51 equipes de futebol, entre os anos de 2001 a 2009. Consequentemente, em média, um jogador sofreu 0,6 lesões por temporada. Portanto, isso nos leva a pensar que uma equipe com 25 jogadores poderá ter em média 15 lesões musculares na temporada.

Além disso, o estudo ainda mostrou que 31% das lesões foram musculares, sendo elas: isquiotibiais 37%, adutores 23%, quadríceps 19% e panturrilha 13%. Outro fato destacado é a incidência de lesões musculares conforme o aumentou com a idade. Mas, quando se verificou essa relação por grupos musculares, o único grupo que apresentou relação com o aumento da idade foi a panturrilha.

Frequência e natureza das lesões

Ocorrem mais lesões nos treinos ou jogos? Para compreendermos, o estudo proposto por Ekstrand et al (2009), registrou 4483 lesões ocorridas durante 566 000 horas de exposição. Portanto, uma incidência de 8,0 lesões/1000 horas. Com isso, a exposição média geral de um jogador em uma temporada foi de 254 horas: 213 horas de treinamento e 41 horas de jogos. Assim, 57% ocorreram durante partidas e 43% durante treinamentos.

Esses dados são corroborados no estudo com jogadores de categoria infantil e juvenil (n = 110), onde a incidência de lesões foi de 4,47 por 1000 horas de jogo/treino por atleta (RIBEIRO et al, 2007). Além disso, novamente a parte do corpo mais lesada foi a coxa (34,7%).

Portanto, verificamos que, quando segmentamos o corpo humano de forma individualizada, tanto em jogadores profissionais como em jovens, as características epidemiológicas são similares para lesões de futebol. Sendo as lesões na coxa as mais comuns, independentemente do público alvo e do período histórico em que o estudo tenha sido realizado.

Além disso, quando falamos de lesões musculares os isquiotibiais são os mais afetados (grupo de músculos da coxa). E quando falamos sobre a categoria de lesão, entende-se que as entorses, os estiramentos e as contusões (não necessariamente nessa ordem) parecem ser as mais comuns, com uma média de 1,2 a 2,36 lesões por atleta em uma temporada.

Portanto, neste texto fizemos um mapeamento das principais lesões no futebol. Assim sendo, deixamos aqui o convite para que você acompanhe as nossas próximas publicações para aprofundarmos na compreensão sobre lesões no futebol, prevenção de lesões e a importância da preparação física no processo de prevenção.

Contato do autor: Instagram @pf_ricardosa

O autor Ricardo Neves de Sá é bacharel em Educação Física pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Possui especialização em Preparação Física de Futebol desde o centro de Alto Rendimento, localizado em Alcoy, Alicante, na Espanha. É mestre em Preparação Física e Readaptação de Lesões no Futebol pela Universidade Pablo de Olavide, em Sevilha, na Espanha. E é mestre em Treinamento de Alto Rendimento Desportivo pela Universidade do Porto, em Portugal.
Possui passagens como preparador físico de futebol por clubes do Brasil (Sport Clube Internacional, Joinville), Espanha (Pontevedra, Real Múrcia e Real Bétis), Portugal (FC Infesta) e México (Club América do México e Necaxa)

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