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A imagem mostra um jovem ouvindo música com fones de ouvido e atrás há uma escadaria cor de laranja que dá acesso à uma arquibancada

Por que ainda existem os Campeonatos Estaduais?

Por: Tássio Sardinha

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Atualizado em

O primeiro semestre do calendário do futebol brasileiro profissional masculino se destaca, principalmente, pelos campeonatos estaduais. Atualmente, muitos questionam sobre os reais benefícios das competições estaduais. Porém, é inegável que os estaduais têm grande valor histórico, até por isso ainda existem.

Neste texto apresentaremos pontos relevantes, tanto históricos quanto atuais, a favor dos campeonatos estaduais. Além disso, evidenciaremos alguns problemas e possíveis soluções para que estas competições sejam viáveis no cenário em que vivemos.

Importância histórica dos campeonatos estaduais

Evidentemente, temos de reconhecer que historicamente os campeonatos estaduais têm grande valor. O que, certamente, contribui para que existam até os dias atuais. O motivo? Façamos uma breve reflexão.

Primeiro, as rivalidades locais foram construídas à base dos confrontos nos campeonatos estaduais. Por exemplo, apesar de Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras serem equipes de grande relevância em cenário nacional atualmente, nada muda o fato de ainda existir grande apelo pela vitória quando enfrentam Cruzeiro, Vasco e Corinthians, respectivamente. Portanto, os chamados “clássicos” ainda têm grande relevância, e os campeonatos estaduais aumentam a incidência de acontecê-los.

Ainda assim, podemos retornar ao passado para justificar isso. Por exemplo, o campeonato carioca até meados de 1980, foi disputado ao final da temporada, depois das competições nacionais. Assim, quando as equipes de maior tradição não se saíam bem, o campeonato carioca servia como uma possível redenção, aumentando, dessa maneira, a importância da competição.

Obviamente, no cenário atual não é possível imaginar a disputa dos estaduais no final do calendário nacional. Nesse sentido, para os grandes clubes do país, vale mais à pena concentrarem-se em competições nacionais e continentais, porque são mais lucrativas. Logo, os estaduais, por serem menos pertinentes do ponto de vista financeiro, atualmente, devem acontecer no início da temporada.

Campeonato Estadual | Flamengo_Alternativo
Fonte: Flamengo alternativo

Importância atual dos campeonatos estaduais

Apesar de financeiramente ser menos rentável para os clubes ditos grandes, do ponto de vista moral, vamos concordar que em nada diminui o valor da competição estadual. Em primeiro lugar, notemos que alguns clubes optam pela não utilização de seus elencos principais, ao menos nas primeiras rodadas.

Assim, surgem oportunidades para que os jovens e recém-contratados ganhem mais minutos e, assim, adquiram mais experiência competitiva que, inclusive, será de suma importância no decorrer da temporada.

Além disso, por outro lado, temos que olhar os campeonatos estaduais na ótica das equipes de menor expressão. Neste caso, os campeonatos estaduais podem servir como uma excelente ‘vitrine’ para os jovens jogadores desses times com menor investimento. Além de servir como uma única oportunidade de justificativa da “sobrevivência” desses clubes. Receitas de Tv, vendas de atletas e até o retorno de patrocínio nos estaduais, é em muitos casos a razão de equipes de menor expressão ainda estarem com a equipe profissional em atividade. Outro ponto que vale ressaltar é a demissão dos técnicos durante os campeonatos estaduais. Bem, vejamos que até a presente data que este texto foi escrito, quatro equipes da série A do Brasileirão em 2022 demitiram seus treinadores. Este dado, em especial, demonstra, que sim, os clubes de maior torcida se importam com os estaduais.

Problemas atuais dos campeonatos estaduais

Considerar os campeonatos estaduais importantes, não significa fechar os olhos para os problemas que o modelo vigente comporta. Nos últimos anos, há um crescente desinteresse por parte dos grandes clubes pelo campeonato. Da mesma maneira, não há estímulo para o consumo de jogos das equipes do interior. Desse modo, os clássicos entre os chamados grandes clubes ainda são objeto de maior interesse do público em geral.

Por considerar que os grandes clássicos são mais atrativos, as federações estaduais estendem o calendário da competição para que os clubes da elite nacional possam se enfrentar mais vezes. No entanto, dessa forma, com o calendário estendido, vários jogos, principalmente entre as equipes do interior, passam a acontecer sem grande atratividade para grande parte dos que acompanham futebol.

De certo modo, três a quatro meses, destinado aos estaduais, fazem bem aos que trabalham nos pequenos clubes, pois, dessa forma, ficam com calendário garantido durante um certo período do ano. No entanto, a crescente falta de atratividade competitiva é cada dia mais evidente. Portanto, outro modelo e fórmula de disputa deve ser pensado.

Possíveis soluções para os campeonatos estaduais

Antes de mais nada, devemos entender que os campeonatos estaduais fazem parte da cultura brasileira e, portanto, são elementos que nos tornam singulares perante a outros países. Assim, quaisquer soluções abordadas devem considerar as especificidades do Brasil.

Por consequência, uma reformulação do modelo de disputa passa, antecipadamente, pela consideração de que os clubes menores devem ser mais competitivos frente aos clubes maiores. Da mesma maneira, os jogos entre os chamados “pequenos” devem ter mais atratividade ao público. Como? Talvez com a melhor distribuição de cotas de Tv, equidade de incentivos financeiros por parte de federações e patrocinadores, e com a simples melhora dos gramados e da estrutura local, possamos resolver um problema estrutural que, evidentemente, deixa o jogo mais dinâmico.

Aliado a isso, uma possibilidade seria a mudança no calendário. Diminuindo o tempo de competição e aumentando, por consequência, os jogos decisivos. Logicamente, isso afetará na incidência dos clássicos entre os grandes. Mas, em simultâneo, haverá mais competitividade entre os clubes.

Uma mudança no calendário nesse sentido faria com que os clubes pequenos tenham menor tempo de atividade garantidos pelas Federações Estaduais. No entanto, abrirá brecha para que a Confederação brasileira de Futebol pense em uma possível competição que agregue estes clubes (talvez uma “série E”, ou uma reformulação da “série D”), por exemplo.

Por fim, sabemos que para um problema complexo não há soluções simples. No entanto, as discussões devem ter como ponto de partida um objetivo concreto. Neste texto apresentamos algumas possibilidades tendo como objetivo a elevação da competitividade entre os clubes e consequentemente a maior atratividade ao público.

Contato do Autor: https://www.instagram.com/tsardinha1/
Fonte de capa: Wikipedia

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